Educação

Professores da rede estadual se formam na 2ª edição do Ganhando o Mundo no Canadá

Professores da rede estadual se formam na 2ª edição do Ganhando o Mundo no Canadá
Publicado em 27/02/2026 às 17:46

A turma de 251 professores da rede estadual que passou o último mês no Canadá em uma imersão cultural e formativa encerrou o programa de formação nesta sexta-feira (27). A cerimônia aconteceu no Greystone College, em Toronto e contou com a presença do secretário estadual da Educação, Roni Miranda. Agora os docentes retornam ao Brasil para continuar com a aplicação, em sala de aula, dos conhecimentos adquiridos no Exterior.

A cerimônia marca um novo capítulo na vida dos professores e da educação paranaense. “Hoje encerramos o ciclo de estudos destes professores aqui no Canadá, mas agora eles voltam pra casa com todo esse aprendizado, prontos para aplicarem na prática, para levarem novas estratégias e diferentes visões de como podemos melhorar ainda mais o ensino paranaense”, disse.

A cerimônia contou com falas sobre desenvolvimento profissional e motivação, entrega oficial dos certificados aos professores paranaenses, além de uma declaração especial do secretário para o grupo.

“A cerimônia de formatura dos intercambistas, apesar de simbólica, é de extrema importância, pois encerra o período de mobilidade dos intercambistas e permite a reflexão sobre as ações dos professores no intercâmbio, bem como o seu reflexo na formação dos seus estudantes na rede estadual do Paraná”, afirmou a coordenadora do núcleo formadores em ação da Secretaria, Gilmara de Fátima Weingärtner, que acompanhou a cerimônia.

EXPERIÊNCIA ÚNICA – A professora Janice Aline Foleis Gallo, do Colégio Estadual Érico Veríssimo, em Faxinal, no Vale do Ivaí, conta que essa é a viagem mais longa e distante que já fez e estar representando seu colégio e cidade é uma enorme responsabilidade. “Foi uma experiência desafiadora, transformadora e motivadora, tanto profissional quanto pessoalmente. Sinto uma honra muito grande, mas também uma responsabilidade por representar minha cidade e minha escola, onde também tenho orgulho de ter sido aluna, e a educação do Paraná. Cada vivência aqui carrega esse significado”, disse.

A professora, há 14 anos atuando na rede estadual de ensino, conta que se surpreendeu com as inovações do Canadá na educação, mas ficou orgulhosa em perceber aspectos que já são praticados no Paraná, o que tornou a experiência ainda mais interessante e enriquecedora.

Segundo ela, a imersão em outra cultura educacional evidencia diferenças importantes na forma de conduzir o trabalho. Destacou a intencionalidade das intervenções pedagógicas, aspectos estruturais e sistêmicos da organização escolar e o equilíbrio das ações entre escola e famílias, que fortalecem o processo educativo. “Esses elementos contribuem para potencializar o desenvolvimento dos estudantes, algo que me fez refletir, ainda mais, sobre a capacidade, o protagonismo e o potencial dos nossos estudantes paranaenses”, afirmou.

Para além da experiência profissional, Janice ficou encantada com a diversidade cultural de Toronto. Ela conta que o que mais a marcou foram detalhes cotidianos que se destacam pela diferença cultural, como a autonomia dos estudantes, múltiplas culturas convivendo de forma respeitosa e integrada e aspectos da rotina local.

De forma poética, ela detalha o momento em que percebeu que estava “ganhando o mundo”. “Era um dia de muito frio, temperatura abaixo de zero. Eu estava na plataforma do metrô, observando o trem chegar enquanto a neve caía. Pessoas de diferentes culturas ao meu redor, cada uma seguindo sua rotina — e eu ali, uma professora do Paraná, atravessando uma cidade canadense para estudar. Naquele momento, não era apenas sobre estar em outro país, mas sobre perceber o caminho que me trouxe até ali. Longe da família, vivendo o frio intenso, a neve, as grandes distâncias, a alimentação diferente e uma rotina de estudos totalmente nova… parei e pensei: eu realmente cheguei até aqui. Foi ali que senti, com força, que estava ganhando o mundo”.

VOLTANDO PARA CASA – Após o encerramento dos estudos no Canadá, Janice e os outros 250 professores retornam ao Brasil em dois grupos, com chegada nos dias 1.º e 02 de março.

Por aqui no Paraná o programa continua com a aplicação prática do que foi aprendido em Toronto com acompanhamento da equipe de formação continuada da Secretaria de Estado da Educação (Seed-PR).

“No decorrer do primeiro semestre de 2026, os professores deverão implementar o conhecimento obtido no intercâmbio junto aos seus estudantes, por meio do desenvolvimento de aulas e projetos que promovam o protagonismo do aluno. Outra ação esperada é o compartilhamento dos saberes obtidos no intercâmbio com os demais profissionais da educação da rede, garantindo assim que esta ação possa impactar de forma positiva ainda mais estudantes paranaenses”, detalha Gilmara de Fátima Weingärtner.

Para Janice, a volta representa mais do que reencontrar a família e amigos, mas sim um desafio de contribuir com a educação paranaense. “Retorno com o compromisso de compartilhar tudo o que vivi e aprendi. Não existe uma receita pronta, mas levo novas perspectivas, práticas e reflexões que podem contribuir com a escola em que atuo e com a rede como um todo. Volto diferente de como fui, mais fortalecida, mais inspirada e ainda mais consciente do papel transformador da educação”.

GANHANDO O MUNDO PROFESSOR – Entre os maiores programas de intercâmbio docente do Brasil, o Ganhando o Mundo Professor já está em sua segunda edição, que conta com R$ 9,5 milhões de investimento. Em 2025 o programa selecionou 250 docentes que passaram três semanas no Canadá, no Greystone College, em Toronto, em uma imersão pedagógica.

Nesse intercâmbio eles se aprofundaram em atividades voltadas a metodologias ativas, educação inclusiva, gestão de sala de aula, uso de tecnologias e avaliação da aprendizagem. O objetivo é que o conhecimento adquirido no país seja replicado na rede estadual de ensino.

A escolha do Canadá se deve à nota alcançada pelo país norte-americano no Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (PISA), principal indicador de qualidade educacional internacional, ficando entre os 10 primeiros e o único das Américas nesse recorte.

Em 2023, na primeira edição, o programa levou 99 professores para o Exterior, 25 para a Finlândia e 75 para o Canadá, com investimento de R$ 3,9 milhões.

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